27.08.2007, 15h14Pastores impostores
Por Davi Lago
Jesus afirmou que nos últimos dias ?numerosos falsos profetas surgirão e enganarão a muitos. Devido ao aumento da maldade, o amor de muitos esfriará? (Mt 24.11-12). ?Pois aparecerão falsos cristos e falsos profetas que realizarão grandes sinais e maravilhas para, se possível, enganar até os eleitos? (Mt 24.24).
O apóstolo Pedro também profetizou: ?No passado surgiram falsos profetas no meio do povo, como também surgirão entre vocês falsos mestres. Estes introduzirão secretamente heresias destruidoras... Muitos seguirão os caminhos vergonhosos desses homens, e por causa deles, será difamado o caminho da verdade. Em sua cobiça, tais mestres os explorarão com suas histórias que inventaram. Há muito tempo a sua condenação paira sobre eles, e a sua destruição não tarda? (2Pd 2.1-2).
Os pastores impostores e charlatães do reino de Deus de nossos dias prenunciam do Dia do Senhor. Gente orgulhosa que inventa títulos e nomes para si. Se auto-nomeiam servos de Deus. Homens cheios de ganância e imoralidade, que só pensam em dinheiro, fama e poder. Amigos de lucros desonestos. Homens embriagados pelos aplausos. Gente arrogante, cheia de vaidade e vazia de Deus. Gente oca, fútil e mundana.
Como é triste ver o que alguns pastores fazem com a Bíblia. Distorcem os textos bíblicos. Inventam as doutrinas mais ilógicas e realizam as práticas mais aberrantes dentro da igreja. São homens sem temor que pensam que ficarão isentos do juízo.
Como é infame ver homens se intitulando deuses e construindo impérios para si. Não há nada mais afastado do evangelho do que isso. Não há nada mais distante da simplicidade de Jesus do que isso.
Esses homens fazem com que o nome de Deus seja envergonhado. O mundo ridiculariza os cristãos por causa de pastores corruptos, ladrões, enganadores que mercadejam a palavra de Deus. Os incrédulos não têm dó nas suas críticas. E o pior é que estão cobertos de razão. Por causa dos impostores o evangelho é considerado um engodo, uma falácia, uma tapeação.
Fico pensando como Deus vê essa situação. Fico pensando como Jesus olha para tudo isso, como ele vê o que esse povo faz com seu nome. O fim deles está próximo pois ?há muito tempo a sua condenação paira sobre eles?. O Senhor dirá naquele dia: ?Afastem-se de mim, eu nunca os conheci?.
Por isso é necessário que os cristãos de verdade sejam atentos. Julguem todas as coisas pelo crivo da Palavra. Abram os olhos, discirnam os espíritos.
por Wesley de Jesus Santos
em 27.08.2007, 15h14
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em 27.08.2007, 15h14
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28.06.2008, 18h50
que dizem ter chamadas para o Ministério quando na verdade se sentem
apenas atraídas pelo bem-estar social e financeiro que o mesmo lhes possa trazer. Muitos perderiam a vocação se auferissem, apenas o salário mínimo. Para muitos a fe está relacionada com a conta bancária.
09.01.2010, 20h49
14.07.2008, 12h10
01.04.2010, 03h45
14.07.2008, 16h46
16.10.2008, 22h45
09.01.2010, 20h51
22.05.2010, 03h39
22.05.2010, 06h00
22.05.2010, 09h08
22.05.2010, 13h30
09.12.2008, 13h27
pois quando oramos pedimos para que o pai celestial e seu filho jesus nos mostre o caminho da verdade.
Pai celestial me mostrou o caminho verdadeiro,da verdade e da retidão!
pois sou completamente feliz e abençoada por frequentar a igreja de jesus cristo dos santos dos ultimos dias.
31.03.2010, 00h38
01.04.2009, 21h56
22.05.2010, 07h17
22.05.2010, 07h17
08.09.2009, 22h28
08.09.2009, 22h29
24.10.2009, 14h38
Sou cristão, livre dessas opressões. Jesus me basta.
::
10.12.2009, 08h23
Quando Noé no tempo do diluvio, salvou os animais todos ele salvou um casal de jumentos e esses se reproduziram de forma assustadora, vá nas igrejas e veja quantos existem.
Deus não é mendigo que precisa da tua esmola para atender teu pedido, ele te deu a vida e o alimento para que tu possa viver, te deu os membros para que tu possa te locomover e trabalhar, te da o ar que tu respira, a agua prara beber e telavar, o sol para te aquecer, a noite para o repouso e muito mais sem pedir-te nada em troca.
09.01.2010, 20h46
09.01.2010, 19h40
22.05.2010, 13h25
09.01.2010, 20h36
que os presbiteros e diaconos so mantiam a igreja local igreja independente nao tinha igreja matriz pastor patrao dono da igreja os presbiteros nao eram empresarios com o sugimento do pastor presidente lider da igreja surgiram os impresario da igreja ai essa confusao toda um homem(pastor) funda uma igreja e se torna dono da mesma sera que niquem ler a biblia ou examina a mesma sera que as pessoas esta cegas se eu estou em Cristo e tenho que sequir o que esta no novo tentamento passado pelos apostolos pricipalmente o apostolo Paulo se eu estou em Moises eu tenho que sequir o que moises diz e mais eu teria que ser um judeu de nacimento sera que todos estao cegos ou nao sabem ler ( a biblia ) poque esta escrito que nos nao estamo debaixo da lei que estamos na graça que nao estamos em Moises mais sim em Cristo sera que ninquem ve que os pastores pregam errado guando cobram o dizimo obrigatorio e falam de maldiçao ora se Jesus acabou com amaldiça ele aboliu sim o dizimo nos libertou se os apostolos sem cobra o dizimo espalharam as boas novas no mundo porque uma igreja podera quebra sem o dizimo so com contribuiçao vejam que a igreja catolica esta errada porque eles tem imagens mais o papa nao leva nada os padres nao leva nada so tem um presidente o papa so uma igreja a catolica entao porque a nossa igreja nao e assim o apostolo Paulo trabalhava pregava e trabalhava ele pregava por amor aCristo e nao pelo dinheiro nao tinha luxo porque e que os pastores tem que ter luxo olha o pastor da igreja que eu congrego trocou o carro que tinha por um honda civ enguanto tem pessoas na igreja passando necessidade ora porque com que autoridade os pastore tem para achar que tem direito a uma parte do dinheiro se o dinheiro pertence a Deus no damos o dizimo com o suor do nosso trabalho que direito eles tem para luxar com o nosso dinheiro eu nao do mais dizimo poque eu nao vou bancar luxo de pastor escola particula dos filhos deles faculdade etc eles falam que a igreja e nossa mais nao e eles dizem que fizeram mais uma igreja (filiao) e que e nossa mais e mentira e mais uma calinha dos ovos de ouro para o pastor presidente olha eu estou muito triste porque os irmaos nao querem ver a verdade eu nao tenho igreja para ir todas so querem dizimo so falam em dinheiro so prega riquesas poque isto esta acontecendo porque e que Deus nao acaba logo com isso tudo o que esta acontecendo estao todos enfeitiçados pelos pastores.
12.01.2010, 16h18
primeiramente, sugiro que vocês revisem suas aulas de português.
Em relação ao texto, é importante ressaltar que, como o próprio texto do pr. Davi Lago ressalta, existem pastores impostores que deturpam aquilo que verdadeiramente é o cristianismo.
Francisco e Carlos, é certo que há pastores preocupados apenas em questões financeiras, mas há muitos pastores que realmente pregam o cristianismo, pregam Cristo.
Roberto, use pontuação no texto, fica bem mais claro para entender o que você quer dizer. Enfatizo que desde a época dos discípulos cada igreja tinha seu líder. Pedro foi líder de uma igreja, Paulo fundou várias igrejas e nomeou líderes ou sugeriu que o fizessem. É certo que a teologia da prosperidade vem se infiltrando no meio evangélico, especialmente o brasileiro, mas isso não se justifica pelos motivos que você citou.
Lembrem-se também que apenas falar não vai nos levar a lugar nenhum. A atitude de mudança deve partir de nós antes de tudo.
Deus nos abençoe.
12.01.2010, 19h14
12.01.2010, 19h07
12.01.2010, 19h10
13.01.2010, 17h52
14.01.2010, 00h48
Gostaria de acalmar os ânimos de vocês um pouco. Principalmente os seus, Roberto. Por favor, peço que ninguém se sinta ofendido ou ofenda a alguém com seus comentários. Afinal, a maioria está se dizendo ser cristã e Jesus com certeza não agiria de forma a denegrir o outro para ter razão em qualquer situação.
Com relação aos comentários, eu vou concordar que existem muitos pastores corruptos. Muitos mesmo. Mas dizer o que o Marcos disse é demais, não é amigo? Achar que praticamente todos os pastores exercem suas funções por causa dos benefícios que ela pode proporcionar é uma opinião muito simplista. É como dizer que no Congresso Nacional só tem corrupto. Fato é que há muitos corruptos. Mas afirmar que praticamente todos o são seria cometer uma injustiça.
No meio religioso - não somente no evangélico - há muitos aproveitadores. Afinal, a religião é um dos agentes alienadores mais eficazes que já surgiu. Mas há muitos - e creio que em maior número - que estão ali por motivações corretas.
Jesus foi um líder religioso irrepreensível. Pedro, Paulo, Tiago, João, Mateus, Marcos, Lucas e outros discípulos de Jesus foram bons líderes para suas comunidades. São Francisco foi um religioso extremamente devoto que teria muito a ensinar para a nossa sociedade capitalista corrupta e sem afeição ao próximo. Lutero teria muito a nos ensinar sobre a liberdade cristã, que independe do institucionalismo. Martin Luther King foi um líder religioso cujo trabalho bem intencionado alcançou proporções historicamente determinantes para o seu povo. Madre Teresa, Ghandi, João Paulo II, Pascal, Kierkegaard, C.S. Lewis e tantos outros cristãos, líderes cristãos, líderes de outras religiões, filósofos cristãos, escritores cristãos... São inúmeros exemplos famosos que servem para comprovar que há gente sincera, honesta e bem intencionada no meio religioso em geral e principalmente a serviço do Reino de Deus.
Enfim, poderia citar bons exemplos até que se esgotasse o espaço do servidor. Fato é que há muitos líderes honestos e muitos corruptos. E que a corrupção de tantos não deve servir de motivação para que corrompamos nossas boas relações com discussões tolas e agressivas sobre os erros deles.
Encorajo aqui uma discussão sadia sobre este tema e qualquer outro. Sintam-se muito bem vindos ao nosso espaço, todos os que se identificam com o que estamos partilhando por aqui. A casa é de vocês. Esperamos que sejam tratados com o respeito que merecem. E que esta seja uma atitude recíproca.
Que Deus abençoe a todos. Grande abraço!
14.01.2010, 18h19
31.03.2010, 01h56
14.01.2010, 18h34
14.01.2010, 18h51
14.01.2010, 19h35
Com uma visão tão simplista assim não dá pra discutir, Marcos. Todos são corruptos ou o ficarão? Davi foi um homem segundo o coração de Deus. Ele ocupou o maior cargo político possível na sua nação. Por isso corrompeu-se? Ele teve suas falhas, mas morreu agradando a Deus. Assim não dá, Marcos. Realmente sua visão é muito simplista.
Roberto, com "acalmar os ânimos" eu quis dizer que devíamos manter o respeito na discussão. O clima já estava pesando, concorda?
Manoel, então para alguém ser um cristão verdadeiro, ele não pode ser pastor? Pelo seu discurso, entendo que, num pensamento semelhante ao do nosso amigo Marcos, vc também pensa que todos os pastores são corruptos.
Bom, estamos (eu e os demais do nosso Ministério) sempre dispostos a usarmos este espaço para discussões sadias e que tragam edificação. Porém, vocês me parecem muito donos da verdade, cheios de certezas e muito inflexíveis. Caso possam reaver no mínimo a humildade necessária para uma troca de idéias saudável (além das aulas de português), podemos continuar com a discussão. Mas, se a verdade de vocês for assim tão absoluta - como a minha não é - perderemos tempo discutindo.
Abraço pra vcs!
P.S.: favor me pouparem de comentários fundamentalistas sobre a minha verdade não ser absoluta. Não falo da verdade do Evangelho. Falo das minhas opiniões.
22.05.2010, 16h37
29.01.2010, 12h23
30.01.2010, 18h19
Obrigado pelo seu comentário e sugestão. Realmente o site do Caminho da Graça tem muito a acrescentar. Particularmente, faz parte dos meus favoritos. Só não concordo muito com a forma como ele expressa muitas verdades, pois é muito agressivo. Acaba por perder a razão algumas vezes, no meu ponto de vista.
Seja muito bem vindo aqui. Que Deus te abençoe.
05.03.2010, 13h22
CHARLATÃES, IMPOSTORES E FALSOS PROFETAS
"Exercerei minha arte única e exclusivamente para curar meus pacientes... com retidão e honradez... Em qualquer casa que eu entre, será pelo bem do doente, no limite das minhas forças, mantendo-me bem distante do mal, da corrupção, de tentar os outros ao vício...
Considero sagradas a minha vida e a minha arte."
Essas frases foram tiradas do Juramento de Hipócrates. Ao longo dos séculos, até nossos dias, a imagem modelo do médico baseia-se nesse juramento. O médico é aquele que ajuda de modo altruísta e desinteressado. Ele se interessa pelo doente e pelo sofrimento para servi-los.
Esse é o aspecto luminoso, o lado luminoso do seu trabalho.
O lado escuro parece um tanto diferente. Ele é mostrado, por exemplo, no Doctor Knock de Jules Romains. O dr. Knock não tem nenhum desejo altruísta de curar. Ele usa seus conhecimentos médicos para obter lucro pessoal. Não hesita em fazer adoecer pessoas saudáveis, Ele é um charlatão. Por charlatão não estou me referindo ao indivíduo, médico ou não, que tenta ajudar o doente usando meios não-ortodoxos ou não aprovados pela medicina; mas sim àquele impostor que, no melhor dos casos, está enganando a si mesmo junto com seus pacientes — e, no pior dos casos, àquele impostor que só engana os pacientes. Os charlatães ajudam a si mesmos — ganhando prestígio e também dinheiro — muito mais do que ajudam aos pacientes que os procuram. Nesse sentido, sua real atividade médica talvez seja útil, talvez seja prejudicial, talvez não seja nem uma coisa nem outra. Mas esses praticantes da medicina não estão interessados no aspecto médico de sua atividade; eles traíram o Juramento e trabalham apenas para si mesmos.
O charlatão é a sombra que sempre acompanha o médico. E uma sombra que pode viver dentro dele ou fora dele. Seus próprios pacientes o pressionam para que esqueça o modelo hipocrático e imite a caricatura do dr. Knock. Os inúmeros problemas de origem desconhecida que ele precisa tratar em sua prática diária, nenhum deles com uma terapia reconhecida — problemas tais como fadiga crônica, certos tipos de dor lombar e dores nas juntas, vagas dores cardíacas ou gástricas, dor de cabeça crônica, etc. —, são tratados por ele com uma demonstração pseudocientífica de know-how médico. Em vez de trazer os componentes psíquicos à atenção daqueles pacientes cujo sofrimento é principalmente psíquico, por exemplo, o que ele faz é ajudá-los a transformar seus problemas psíquicos em problemas físicos. Se os pacientes melhoram, ele é o grande curador; se pioram, é porque não seguiram adequadamente suas instruções.
Abandonemos por um momento o problema da sombra do médico. Para desenvolver o tema principal deste ensaio, precisamos primeiro analisar o lado escuro do padre ou pastor. A imagem do "homem de Deus", além de ter passado por muitas transformações ao longo da história, não é a mesma em todas as religiões. O que nos interessa aqui é o padre ou pastor da tradição judeu-cristã. Espera-se que ele, como membro do clero, tenha certo relacionamento com o Senhor, por mais intermitente que seja. Não é necessário que cada homem de Deus tenha recebido individualmente do Senhor uma missão específica, como os profetas do Velho Testamento; mas espera-se que ele, pelo menos, represente honestamente Deus e Sua vontade, seja em virtude de um genuíno contato com a divindade ou com base no seu conhecimento especial das Sagradas Escrituras e da sabedoria sagrada tradicional.
O reverso dessa nobre imagem do "homem de Deus" é o hipócrita, o homem que prega, não por ter fé, mas porque quer influenciar os outros e exercer poder sobre eles, A congregação de qualquer pastor exerce grande pressão sobre ele para que aja com hipocrisia: A companheira inevitável da fé é a dúvida. Mas ninguém quer ter dúvidas acerca do seu padre ou do seu pastor; cada pessoa já tem suas próprias dúvidas, e estas lhe bastam. As vezes, o que pode um clérigo fazer senão reprimir suas dúvidas e tentar ocultar o momentâneo vazio interior com palavras de grande elevação? Se ele é fraco, essas ocasiões formarão um hábito. Esperamos que o pastor ou padre conheça o caminho para a salvação da alma. A sombra desse homem, íntimo da divindade, é o pequeno senhor todo-poderoso, o pregador que jamais se confunde com as palavras relativas ao propósito da vida e da morte. Idealmente, um homem de Deus dá testemunho do Senhor, Ele não pode provar aquilo que prega. Esperamos dele que seu comportamento, seu testemunho, crie a base que sublinha a retidão do caminho de salvação que ele representa, E imediatamente vemos a sombra do "homem de Deus" hipócrita que quer apresentar-se para o mundo — bem como para si mesmo — melhor do que realmente é.
A sombra do falso profeta acompanha o pastor ou o padre durante toda a sua vida. Às vezes ela emerge no mundo exterior sob a forma de um sectário de mente estreita ou de um odiado demagogo dentro da organização da igreja. Às vezes ela reside dentro dele. As nobres imagens do médico e do clérigo estão sempre acompanhadas pelas sombras do charlatão e do falso profeta.
Em nossos dias, o psicoterapeuta, o analista, constitui a convergência das imagens e das práticas do médico e do clérigo, do curador físico e do curador psíquico, É assim que ele traz consigo uma sombra dupla.
Vejamos primeiro os problemas da sombra que atacam o analista externamente, na sua faceta médica. Com muita freqüência nós, analistas, lidamos com doenças (tais como neuroses, doenças psicossomáticas e psicoses limítrofes) que tornam impossível o uso dos métodos de controle experimental geralmente reconhecidos. Como todos sabem, é impossível manter estatísticas referentes ao sucesso ou ao fracasso do tratamento nos casos de neuroses, por exemplo. O que constitui remissão? Deterioração? O ajustamento social seria um critério adequado? Ou a capacidade do paciente de manter um emprego? Ou o aumento e acuidade ou a diminuição e alívio dos sintomas neuróticos? Ou a sensação subjetiva de bem-estar do paciente? Ou o progresso feito rumo à individuação? Maior contato com o inconsciente? Os critérios, em si, estão abertos a interpretações indefinidas quando comparados, digamos, com a cura de uma fratura onde a recuperação funcional oferece um critério inequívoco da eficácia do tratamento.
Quaisquer que sejam os critérios escolhidos, os resultados estatísticos na nossa profissão são extremamente insatisfatórios. É impossível verificar se um paciente foi tratado pela psicoterapia, pela medicação com tranqüilizantes ou por coisa alguma. E, a esse respeito, as doenças psicossomáticas são tão más quanto as neuroses.
Vamos supor que concordamos que a distância entre o paciente e seu Self, seu contato pior ou melhor com o inconsciente, seria o critério apropriado para investigarmos a eficácia da psicoterapia. Como iremos medir essa distância? Como faremos uma investigação estatisticamente válida?
Em outras palavras, qualquer um que se intitule analista ou psicólogo pode alegar sucesso quando surge na hora certa, ou persevera o tempo suficiente, ou tem a sorte de ganhar um paciente cujas condições, medidas por este ou por aquele critério, iriam melhorar independentemente de tratamento. A sombra do charlatão ou o aspecto orientado para a medicina do analista podem, assim, ser ativados com uma relativa ausência de controle.
Mas a sombra do analista também é alimentada pelos aspectos que ele tem em comum com o clérigo. Os analistas junguianos não representam, decerto, uma fé específica. Não temos uma religião organizada. No entanto representamos, como o clérigo, um modo definido de vida. Não representamos nenhuma filosofia, mas aderimos a uma psicologia a respeito da qual temos convicção, tendo vivido, em nossas próprias vidas e em nossas próprias análises, certas experiências que nos convenceram e nos deram forma. Nosso confronto com o irracional e o inconsciente moveu-nos profundamente. Mas quaisquer que sejam os nossos insights, não podemos prová-los científica ou estatisticamente; eles só podem ser afirmados pelo relato honesto e confiável de outras pessoas. Para a pergunta que tão freqüentemente ouço de escolas
médicas americanas, "Quais os estudos que têm sido feitos?", não existe resposta. As únicas provas que podemos apresentar são as experiências pessoais de nós mesmos e de outros, já que a realidade da psique não pode ser provada estatística ou causal-mente no sentido científico usual. Estamos aqui em uma posição semelhante à do clérigo.
A necessidade de recorrer apenas à experiência pessoal de si mesmo e de outros dá margem a dúvidas. E se nós e as autoridades em quem confiamos estivermos enganados? Afinal de contas, existem muitas pessoas, incluindo outros psicoterapeutas da maior integridade, que sustentam uma visão da psicologia totalmente não-junguiana. Estarão todos eles enganados? Estarão todos eles cegos?
Somos capazes de admitir, a nós mesmos e aos outros, essas dúvidas? Ou compartilhamos do perigo do clérigo que põe de lado suas dúvidas incessantes e jamais admite que elas existem? Além disso, como o pastor e o padre, trabalhamos com a nossa própria psique, com a nossa própria pessoa, sem instrumentos nem métodos tecnológicos. Nossas ferramentas são nós mesmos, a nossa honestidade, a nossa confiabilidade, o nosso contato pessoal com o inconsciente e o irracional. Sofremos uma grande pressão para representar esses recursos como melhores do que eles são e, assim, cair na sombra do psicoterapeuta. E ainda existe mais um paralelo com o pastor e o padre. Somos guindados ao papel de seres oniscientes. Trabalhamos com o inconsciente, com os sonhos, com a alma — áreas, todas elas, nas quais o transcendental se faz sentir. E por isso espera-se de nós que saibamos mais sobre as coisas primeiras e últimas do que o comum dos mortais. Se somos fracos, acabamos por acreditar que estamos mais bem informados sobre as questões da vida e da morte do que nossos semelhantes. E assim não apenas as claras imagens-modelo da medicina e do clero se encontram na pessoa do analista, mas também suas sombras: o charlatão e o falso profeta, Valeria a pena desperdiçar palavras com eles? Não há dúvida de que existem charlatães e falsos profetas entre psicoterapeutas que, consciente ou inconscientemente, mais beneficiam a si mesmos do que ajudam os seres humanos a quem supostamente servem.
Nossa tendência é acreditar que o profissional, cínico e ciente de suas ações, que busca apenas o lucro pessoal não passa de um criminoso que logo é assim reconhecido por seus colegas, embora sempre encontre novas vítimas entre os doentes e desamparados. Através das nossas associações profissionais, tentamos proteger pacientes potenciais contra esses nossos colegas da sombra. Quanto ao outro tipo, aqueles que enganam mais a si mesmos do que aos seus pacientes, com sua identificação inconsciente com a sombra, pode-se dizer que é uma simples questão de maior conscientização e de melhor formação profissional. O futuro analista conscientiza-se de sua sombra durante o decorrer de um bom treinamento e da análise de controle e, depois disso, não é mais ameaçado por ela.
Mas aqui temos um grande engano; por causa dele, o problema da sombra profissional do psicoterapeuta é da mais fundamental importância. Pois aqui nos defrontamos com a tragédia inerente ao analista. Quanto maior e mais ampla se torna a crescente consciência do analista, tanto maior se torna o seu inconsciente. O inconsciente, e o problema correlato de cair na sombra, é o grande problema do analista. Comecemos considerando a situação do ponto de vista da individuação. Quanto mais individuado se torna um homem, ou seja, quanto mais amplo o domínio do inconsciente aberto diante dele, mais poderosas tornam-se as constelações do inconsciente, Afinal, supõe-se que o processo de tomada de consciência nos ajuda ao nos entregar ao inconsciente. Progredimos na individuação apenas na medida em que continuamente nos afastamos daquilo que já se tornou consciente e mergulhamos de novo no inconsciente. Em termos práticos, isso significa que uma pessoa que está se individuando age, às vezes, diretamente a partir do inconsciente — e isso inclui o psicoterapeuta que está engajado na sua atividade profissional. Mas agir a partir do inconsciente significa cair, sempre e de novo, na própria sombra.
Existe um outro aspecto do processo de individuação que se refere mais especificamente ao analista do que ao não-analista. Uma das tarefas especiais do analista é ajudar pacientes e colegas a se conscientizar, ou seja, a confrontar os conteúdos coletivos e pessoais no inconsciente dos outros. Assim como o conhecimento de Deus desempenha um papel importante na imagem-modelo do clérigo ou o curador altruísta na imagem arquetípica do médico, assim também no modelo do psicoterapeuta existe uma figura que poderíamos designar como o guia para o consciente, o portador da luz, Ele ocupa, de fato, uma posição central. Mas essas imagens-modelo profissionais, inerentes ao médico, ao clérigo e ao psicoterapeuta sempre contêm um irmão escuro que é o oposto do ideal luminoso e brilhante. Assim a sombra profissional do psicoterapeuta contém não apenas o charlatão e o falso profeta mas também o alter ego que habita o inconsciente — o oposto, em outras palavras, de tudo aquilo por que luta conscientemente o analista. Defrontamo-nos, portanto, com o paradoxo de que o inconsciente é uma ameaça maior ao analista do que ao não-analista.
Contaram-me certa vez que antes da Primeira Guerra Mundial, a Marinha Britânica não ensinava seus marinheiros a nadar, pressupondo que pessoas que não sabiam nadar teriam menores chances de se afogar do que aquelas que sabiam, uma vez que fariam o possível para não cair no mar. Comparando a água ao inconsciente, o analista é o marinheiro que sabe nadar. Um analista honesto perceberá com horror que, de tempos em tempos, no seu trabalho diário, tem agido exatamente como um charlatão e falso profeta inconsciente. O que narro a seguir é uma breve descrição do modo como opera a sombra do psicoterapeuta. A sombra procura tratar apenas pessoas ricas que pagam bem ou personalidades famosas que aumentarão seu prestígio. A sombra, então, diagnostica "sérias tendências à psicose". O conceito de psicose latente de Jung tem, facilmente, um emprego errado nesse contexto. O perigo de colapso psíquico iminente é exagerado para que a sombra possa parecer um salvador. No decorrer do tratamento, o paciente, em vez de ser confrontado com seus problemas, é adulado e lisonjeado. Seus piores defeitos de caráter são considerados interessantes, até admiráveis. A mulher autoritária é adulada porque manifesta o "arquétipo da rainha". A incapacidade de amar transforma-se em louvável introversão. Ao egoísta que não tem compaixão pela mãe idosa a sombra diz que ele está se libertando do animus da mãe. Em vez de tentar aliviar a tensão entre um paciente e seu pai, a sombra imediatamente declara que "o rei deve morrer", Não existe a percepção de que um analista cuidadoso pode transformar pais ameaçadores em velhinhos amistosos e gentis, cujas qualidades ameaçadoras desaparecem na medida exata em que o paciente se torna mais forte.
Qualquer tipo de remissão é entendido como sendo obra do próprio analista ou, pelo menos, atribuído aos poderes por ele despertados; qualquer deterioração da condição do paciente deve-se à sua incapacidade ou má-vontade de seguir o caminho que o analista lhe mostra.
O analista aprisionado na sombra vive, cada vez mais, através da vida de seus pacientes. A conversa dos pacientes é a sua conversa; as amizades, romances e aventuras sexuais dos pacientes tornam-se as suas experiências. Ele deixa por completo de viver sua própria vida. Seus pacientes são tudo para ele. Os pacientes vivem, amam e sofrem para ele. Pode ser que o analista viva apenas para seus pacientes, como diz o ditado; mas certamente ele vive apenas através deles. A análise e o analisar tornam-se a própria vida do analista. E que dizer da máxima de que o pagamento feito pelo paciente é parte de sua terapia? Não seria possível que essa fosse uma afirmação da sombra? Os honorários não são, com certeza, parte fundamental da terapia; existem para que possamos viver decentemente, à medida que fazemos por merecer.
A sombra mantém verdadeiras orgias com os conceitos de transferência e contratransferência. Invejamos, por exemplo, o marido da paciente porque sua influência parece ser tão grande quanto a nossa. Não toleramos essa usurpação do nosso poder; e representamos o marido como alguém que se comporta de modo vergonhoso, atroz, etc. E tentamos afastar nossos pacientes de seus amigos e conhecidos. A sombra do analista também o leva a desmerecer os amores anteriores dos pacientes e, ao assim fazer, supervalorizar-se.
Sempre que o sofrimento de um paciente neurótico ameaça esmagar o analista, sua sombra também lhe mostra um belo caminho para sair dessa dificuldade. O sofrimento neurótico não é um sofrimento real — assim diz o dogma — e isso nos permite deixar de ver o fato de que o paciente está realmente sofrendo. Na realidade talvez não existam coisas como sofrimento irreal ou inadequado, mas apenas problemas irreais ou inadequados.
Até mesmo o Self é mal empregado pelo analista que está mergulhado na sombra. Quantos comportamentos agressivos, imorais e intolerantes não são, com freqüência, justificados por serem intrínsecos ao Self do paciente? O adultério, por exemplo, deixa de ser encarado como um grave insulto e uma agressão ao cônjuge, e passa a ser uma libertação das normas coletivas em nome do Self. Comportamento injusto e desleal para com amigos, conhecidos, empregados e empregadores, rejeição da moralidade e dos códigos morais: o analista mergulhado na sombra ajuda e apóia tudo isso como sendo arrojados atos de libertação e redenção, de descoberta do Self.
O analista aprisionado na sua sombra começa, pouco a pouco, a brincar de profeta. Ele satisfaz as necessidades religiosas de seus pacientes fingindo sabedoria transcendental. Assim como o clérigo aprisionado a sua sombra vê os atos de Deus em toda parte e em tudo, também o analista vê o inconsciente operando em toda parte o tempo todo. Cada sonho, cada acontecimento, evento, doença, alegria, tristeza, cada acidente e cada prêmio de loteria é entendido como sendo o inconsciente em ação. Nós, os analistas, descemos do nosso altar como pequenos deuses capazes de deduzir tudo de qualquer coisa. Deixamos de reconhecer a mão escura de Moira, o destino, diante da qual até mesmo os deuses, o inconsciente, devem se curvar. Para nós não existe tragédia, não existe o acidente cruel e cego. Acreditamos que as pessoas se desgraçam porque perderam contato com o inconsciente. E chegamos a acreditar, e deixamos que nossos pacientes acreditem, que podemos espiar por trás dos bastidores dos eventos do mundo.
Para podermos continuar a ajudar o paciente numa situação trágica da vida, que permanece trágica embora seu contato com o inconsciente possa ter melhorado, precisamos ser capazes de enfrentar a nossa própria situação trágica de vida. Nossa tragédia especial é, acredito, que quanto mais tentamos ser bons terapeutas que ajudam a conscientização dos pacientes, tanto mais nos tomamos vítimas do lado escuro da nossa luminosa imagem profissional, da nossa cegueira — no mínimo, parcial — em relação à nossa sombra.
Num certo sentido, o destino de qualquer homem que luta por um objetivo qualquer — e nossos pacientes geralmente são desse tipo — tem um lado nitidamente trágico. Sempre emergirá o oposto daquilo que queremos realizar ou daquilo que queremos evitar.
O médico torna-se um charlatão exatamente por querer curar tantas pessoas quanto possível; o "homem de Deus" torna-se um hipócrita e um falso profeta exatamente por estar tão ansioso para aumentar a fé entre seus semelhantes. Assim também o psicoterapeuta torna-se um falso profeta e charlatão inconsciente, embora trabalhe noite e dia tentando tornar-se cada vez mais consciente.
06.03.2010, 16h26
C o m e n t á r i o...
Vamos ter que limitar o número de caracteres depois desta!
13.05.2010, 14h33
Ontem, 12h33