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Dezembro
02
Nivton Menezes Campos
A tranqüilidade das ovelhas
às 12:56:00 | 378 visualizações



A noite estava escura, céu sem estrelas. De vez em quando ouvia-se o uivo de um lobo bem longe, misturado com o barulho do vento. As crianças reunidas na tenda do Mestre Benjamin estavam com medo. Mestre Benjamin sentiu o medo nos seus olhos. Foi então que uma delas perguntou:

“Mestre Benjamin, há um jeito de não ter medo? Medo é tão ruim.”
Mestre Benjamin respondeu:
“Há sim...” E ficou quieto. Veio então a outra pergunta:
“E qual é esse jeito?”
“É muito fácil. É só pensar como as ovelhas pensam...”
“Mas como é que vou saber o que as ovelhas estão pensando?”
Mestre Benjamin respondeu:
“Quando, durante a noite, as ovelhas estão deitadas na pastagem, os lobos estão à espreita. E eles uivam. As ovelhas têm medo. Mas aí, misturado ao uivo dos lobos, elas ouvem a música mansa de uma flauta. É o pastor que cuida delas e não dorme nunca. Ouvindo a música da flauta elas pensam:

‘Há um pastor que me protege.
Ele me leva aos lugares de grama verde
e sabe onde estão as fontes de águas límpidas.
Uma brisa fresca refresca a minha alma.
Durante o dia ele me pega no colo e me conduz
[por águas amenas
Mesmo quando tenho de passar pelo vale
[escuro como a morte
eu não tenho medo. A sua mão e o seu cajado
[me tranquilizam
Enquanto os lobos uivam, ele me dá o que
[comer.
Passa óleo perfumado na minha cabeça para
[curar minhas feridas
e me dá água fresca para sarar o meu cansaço.
Com ele não terei medo, eternamente...’
(Salmo 23, paráfrase)”

Mestre Benjamin parou de falar. Os olhos de todas as crianças estavam nele. Foi então que uma delas levantou a mão e perguntou:
“E os lobos? Eles vão embora? Eles morrem?”
“Os lobos continuam a uivar. E continuam a ser perigosos. O pastor não consegue espantar todos eles. E por vezes atacam e matam. Mas as ovelhas, ouvindo a música da flauta do pastor dormem sem medo, não porque não haja mais perigo mas a despeito do perigo. Mas há um jeito de acabar com o medo. Coragem é isso: dormir sem medo a despeito do perigo...”
As crianças voltaram para suas tendas e dormiram sem medo, pensando os pensamentos das ovelhas... De vez em quando, lá fora, ouvia-se o uivo de um lobo faminto. Desde então, tornou-se costume contar ovelhinhas para dormir.

Extraído do livro “Perguntaram-me se acredito em Deus”, do Rubem Alves.
Tags: ovelha paz
1 resposta para 'A tranqüilidade das ovelhas'
Leonardo Teixeira  Leonardo Teixeira 03/12/2007, 12:14
Apesar dos infinitos conceitos de "medo", arrisco a dar um palpite a mais: vinculado ao sentimento de medo está a ansiedade de perder algo, que por sua vez está ligado ao apego(dependência). O interessante é que Cristo desapegou de sua própria natureza divina e nos orientou a seguí-Lo, portanto existirá apego ao amor manifesto por Ele. Mas este apego ao amor de Cristo não está vinculado à ansiedade de dependência (e sim natural dependência), uma vez que nós não fomos comprados por mérito (não estamos endividados com o Comprador), mas fomos comprados pela misericórdia, mediante nosso próprio demérito. Deus abençoe a todos. Obrigado Jesus.
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A noite estava escura, céu sem estrelas. De vez em quando ouvia-se o uivo de um lobo bem longe, misturado com o barulho do vento. As crianças reunidas na tenda do Mestre Benjamin estavam com medo. Mestre Benjamin sentiu o medo nos seus olhos. Foi então que uma delas perguntou:

“Mestre Benjamin, há um jeito de não ter medo? Medo é tão ruim.”
Mestre Benjamin respondeu:
“Há sim...” E ficou quieto. Veio então a outra pergunta:
“E qual é esse jeito?”
“É muito fácil. É só pensar como as ovelhas pensam...”
“Mas como é que vou saber o que as ovelhas estão pensando?”
Mestre Benjamin respondeu:
“Quando, durante a noite, as ovelhas estão deitadas na pastagem, os lobos estão à espreita. E eles uivam. As ovelhas têm medo. Mas aí, misturado ao uivo dos lobos, elas ouvem a música mansa de uma flauta. É o pastor que cuida delas e não dorme nunca. Ouvindo a música da flauta elas pensam:

‘Há um pastor que me protege.
Ele me leva aos lugares de grama verde
e sabe onde estão as fontes de águas límpidas.
Uma brisa fresca refresca a minha alma.
Durante o dia ele me pega no colo e me conduz
[por águas amenas
Mesmo quando tenho de passar pelo vale
[escuro como a morte
eu não tenho medo. A sua mão e o seu cajado
[me tranquilizam
Enquanto os lobos uivam, ele me dá o que
[comer.
Passa óleo perfumado na minha cabeça para
[curar minhas feridas
e me dá água fresca para sarar o meu cansaço.
Com ele não terei medo, eternamente...’
(Salmo 23, paráfrase)”

Mestre Benjamin parou de falar. Os olhos de todas as crianças estavam nele. Foi então que uma delas levantou a mão e perguntou:
“E os lobos? Eles vão embora? Eles morrem?”
“Os lobos continuam a uivar. E continuam a ser perigosos. O pastor não consegue espantar todos eles. E por vezes atacam e matam. Mas as ovelhas, ouvindo a música da flauta do pastor dormem sem medo, não porque não haja mais perigo mas a despeito do perigo. Mas há um jeito de acabar com o medo. Coragem é isso: dormir sem medo a despeito do perigo...”
As crianças voltaram para suas tendas e dormiram sem medo, pensando os pensamentos das ovelhas... De vez em quando, lá fora, ouvia-se o uivo de um lobo faminto. Desde então, tornou-se costume contar ovelhinhas para dormir.

Extraído do livro “Perguntaram-me se acredito em Deus”, do Rubem Alves.