
Certamente o conhecimento constrói. Certamente.
Já há 2 anos e meio que tenho estudado Teologia academicamente, e ela me tem sido uma ferramenta para aperfeiçoar a minha fé e para somar à fé dos que me cercam. Isso é, pelo menos, o que tenho buscado a finco fazer.
Alguns que vejo, porém, têm sido cruéis, e usado o conhecimento para destruir ao invés de construir. Ao contrário de somarem à fé dos irmãos, a saqueiam. Ao invés de promover o amadurecimento da fé através de um senso crítico saudável, são críticos a ponto de apodrecê-la. Ao pensarem possuir algum conhecimento a mais que outros, negociam o inegociável, abrem mão dos valores que outrora norteavam sua vivência e que lhe foram fundamentais na caminhada, em prol da “maneira certa de ver as coisas”. Com isso negam sua fé e tornam suas pregações descartáveis, pois mostram-se vulneráveis a qualquer “vento de doutrina”, já que negam com tanta veemência aquilo que outrora fora seu norte.
Há pouco tempo ouvi de uma pessoa muito querida, por causa da crueldade de um destes, que optaria pela ignorância à prova de sua fé, uma vez que o “conhecimento” demonstrado por quem lhe falava parecia haver destruído sua fé e ameaçava também a dela. Por causa de casos como este, resolvi escrever este pequeno texto, denunciando a soberba e periculosidade destes carrascos da fé simples e verdadeira, e mostrando alguns exemplos do contrário, de como o conhecimento pode construir ao invés de derribar.
Estudando Teologia, entendi o significado obscuro para mim, até então, do primeiro capítulo do livro de Ezequiel. Vi ali Deus se mostrando onipotente para um povo frustrado que o via limitado. Vi que o Senhor não se limitava à forma como era visto, mas preocupava-se com os seus incondicionalmente.
Aprendi com a saudação que deseja “a graça e a paz do Senhor”, que Paulo estava preocupado com a união do povo de Deus, pois os judeus cumprimentavam-se com “Eirene” (paz) e os gregos com “Charis” (graça). O Apóstolo, ao ordenar o cumprimento com a graça (Charis) e a paz (Eirene) do Senhor, une judeus e gregos e diz que a verdadeira paz e a tão desejada graça vinham de Deus Pai, através de Jesus Cristo.
Estudando o contexto do Novo Testamento, entendi mais a fundo o que Jesus quis ensinar em Jo 13:1-17, ao lavar os pés dos discípulos. Quem exercia essa função era o servo chamado “doulos”, o menor servo da casa, inferior a todos os outros. Richard Foster, no seu excelente livro “Celebração da Disciplina”, diz que, não havendo o “doulos” naquela casa, ninguém se prontificou a fazer o seu serviço. Então, Jesus acha o ambiente perfeito para mostrar-nos como deveríamos agir em relação aos nossos irmãos, servindo-os.
Enfim, o conhecimento constrói. E constrói a fé, também, ao contrário do que dizem alguns. O conhecimento valida a fé. E a Teologia é uma ferramenta que, quando bem usada, torna-se colher e massa nas mãos de um pedreiro. Quando em mãos erradas, porém, não passa de uma arma portada por quem não a sabe manejar.