Um sistema perfeito
Salvação: De quê? Por que? e Por quem? - Parte 2
Os fariseus
02.07.2009, 07h14Salvação: De quê? Por quê? e Por quem? - Parte 1
Certamente que a mensagem do evangelho é para a salvação de todo aquele que crê. Não há dúvida quanto a isso. Na introdução à carta aos Romanos (1:16), Paulo declara isso abertamente. Explica ele em sequida: Porque no evangelho é revelada a justiça de Deus, uma justiça que do princípio ao fim é pela fé, como está escrito: "O justo viverá pela fé" (ROMANOS, v. 17). Há inúmeras outras referências na Bíblia sobre salvação, mas creio que essa citação de Romanos já forneça elementos suficientes para um longo ensaio sobre o tema. Não pretendo ser exasutivo mas acretido que esse assunto pede um cuidado especial, pela razão fundamental de ser a salvação um dos pilares da vida cristã e da mensagem do evangelho. Pretendo escrever minhas considerações sobre o tema em três partes, das queis esta é a primeira.
Me converti ao evangelho há 13 anos e ao ler, mesmo hoje, o que o autor de Hebreus recomenda nos versos 1 a 3 do capítulo 6, julgo apropriada a mim mesmo a advertência que ele dá nos versos 11 a 14 do capítulo 5. Mas se me serve de consolo a recomendação que Pedro dá em sua primeira carta (1 Pedro, 2: 1-3) prefiro me apegar ao leite espiritual puro, para por meio dele crescer para a salvação.
Apenas com essas considerações, o tema salvação já me remeteu a outro, correlacionado, mas porém nada fácil: justiça de Deus pelo princípio de fé. Obviamente esses assuntos não se esgotam e por ora gostaria de apenas fazer nesta primira parte do ensaio alguns breves comentário sobre salvação.
Não acredito, sinceramente, que falar em salvação signifique apenas referenciar a uma absolvição da ira de Deus, de uma condenação final à qual a humanidade será submetida. Não. Acho muito pobre essa perspectiva. Salvação remete a liberdade. A liberdade de ser o meu "eu" verdadeiro como Deus planejou que eu fosse (John Stott, Porque sou cristão, 2004). O que isso significa? Que as pessoas não vivem verdadeiramente sua humanidade. Deixe-me tentar explicar.
A corrupção, a maldade, é inerente ao ser humano. Não lhe é inata. Então de onde vem essa natureza pecaminosa? Uso o termo natureza no sentido antropológico. Se não é inata ao homem, ela foi adquirida. Conta-nos o livro de Gênesis o relato da queda. Deus criara o homem para ser humano. Apesar dessa redundância, isso significa que Deus o criara, à sua imagem e semelhança, para viver, desenvolver-se, gerar descendentes, cuidar da familha, cuidar da terra, arar o solo, plantar, colher, transformar a natureza com seu trabalho, ou seja, criar cultura. O homem surgiu pra ser um "ser" relacional, à semelhança do Deus triuno. Basicamente Deus disse ao homem e à mulher: sejam humanos. Não é meu foco aqui elaborar um ensaio sobre como Deus criou o homem, se foi um processo evolucionário ou não. A esse respeito ver Ernest Lucas - Gênesis e as questões de ciência (Ed. ABU).
Partindo dessa premissa, o elemento no qual o homem fora criado e no qual a sua vida faz sentido é o amor. Sendo um ser relacional, o amor assume uma importância fundamental na vida do homem. Ao ser o pecado introduzido no mundo, e por ele a morte (ROMANOS, 5:12-14) o homem fora separado de Deus. Aqui, morte significa exatamente isto: separação de Deus. Se entendermos a declaração de Agostinho: a alma vive quando ama, não quando existe (citado por John Stott, Porque sou cristão, 2004) podemos entender um pouco o que é a morte como separação de Deus.
O pecado nos trouxe a morte por meio de um só homem, o primeiro Adão. Mas Paulo nos ensina que a justiça de Deus e o perdão vieram, também, por meio de um só homem, Cristo, o segundo Adão. Acredito que nessa comparação podemos aprender um pouco sobre salvação. O primeiro Adão experimentou a corruptibilidade, introduzindo na natureza original do homem uma natureza pecaminosa. Todos nós temos essa natureza pecaminosa, inclusive Jesus - homem. Ter a natureza pecaminosa não significa que nascemos pecando. Não. O pecado é uma ação contra a vontade e os princípios de Deus. Cristo Jesus (homem), tinha uma natureza pecaminosa por assumir a natureza humana pós-adâmica, entretanto ele não pecou e por isso foi o único que podia pagar o preço para nos trazer de volta à Deus e restaurar nossa verdadeira natureza humana, à imagem e semelhança de Deus.
De quê somos salvos? Seguindo esse raciocínio, penso e acredito que somos salvos da natureza humana pecaminosa, corruptível. Isso não significa que iremos deixar de pecar enquanto vivermos esta vida. Absolutamente. Mas estamos num processo de transformação. Ao sermos salvos, deixamos a velha natureza, o velho homem, para vivermos pela esperança da vida eterna e abundante, na esperança de sermos transformados num corpo de glória, incorruptível.
Novo por aqui? Talvez queira assinar nosso RSS Feed e agilizar sua leitura diária.






Topo
04.07.2009, 02h09
Sou muito nova na fe pra arriscar um comentario mais profundo... Mas nesse momento, pelo pouco que sei e entendo nao estamos sendo salvos do pecado pq Jesus morreu por nós. Mas a salvaçao que a gente busca ao dizer que Jesus e o nosso unico e suficiente salvador é como se dissessemo... ainda que eu nao Jesus tenha morrido para "quitar" nossos pecados , eu quero seguir os teus passos. Mesmo que eu erre, pretendo me esforçar em nao errar! Falei bobagem?rs... como vc mesmo disse o tema e complexo e eu continuarei por aqui espiando, escrevendo (mesmo que bobagens, mas estou me esforcando!)e aprencendo!
Que Jesus nos abençoe!
04.07.2009, 14h08
Não entendi o que você quis dizer com "(...) não estamos sendo salvos do pecado pq Jesus morreu por nós.", e "(...) ainda que eu não Jesus tenha morrido para 'quitar' nosso pecados (...)"? Fico meio confuso.
Bom. Podemos entender um pouco a salvação com a seguinte comparação: O Apóstolo Paulo nos diz que éramos escravos do pecado e antes oferecíamos nossos membros para o pecado. Agora, salvos, somos escravos de Deus e devemos oferecer nossos membros para a justiça de Deus. Nesta comparação, podemos entender que Jesus comprou a nossa "carta de alforria", pagando preço de sangue (dando sua própria vida como pagamento). Se Ele comprou nossa carta de alforria Ele é, então, nosso dono e somos seus escravos. Mas ele mesmo não nos chama escravos, mas amigos, irmãos, filhos. É aí que entendemos salvação como a liberdade de sermos o nosso "eu" verdadeiro com Ele planejou que fôssemos: O Senhor entregou nas mãos do escravo a sua própria carta de alforria.
Um abraço.
05.07.2009, 11h03
05.07.2009, 23h45
Sou muito nova na fe pra arriscar um comentario mais profundo... Mas pelo pouco que sei e entendo nao estamos sendo salvos do pecado, pq Jesus já morreu por nós (para pagar por nossos pecados). Pq somos salvos pela graça de Deus, não é?
Assim entendo que a salvaçao que a gente se refere ao aceitar Jesus como nosso unico e suficiente salvador é na verdade é uma confirmacao mínima que Deus espera de nós de que queremos segui-lo não apenas por obrigação mas por amor tb!
"A frase "ainda que eu nao Jesus tenha morrido para "quitar" nossos pecados " foi erro mesmo!rsrsrs... digitei com pressa e nao conferi o que havia saido e aí alem do assunto ser complicado piorei de vez,rs!deleta! A frase correta seria "ainda que Jesus tenha morrido".
Desculpe se me equivoquei quanto a algum conceito. Mas o que pretendo é isso mesmo, aproveitar esse espaço pra ir aprendendo com vcs!
Jesus nos abençoe
05.07.2009, 23h46
06.07.2009, 14h01
A sua segunda colocação me fez lembrar de Romanos 10:9-10 - "Se você confessar com a sua boca que Jesus é Senhor e crer em seu coração que Deus o ressuscitou dentre os mortos, será salvo. Pois com o coração se crê para a justiça, e com a boca se confessa para a salvação".
Nesses versículos Paulo nos ensina que pare sermos salvos é preciso crermos com o coração (ou seja, com entendimento) e confessarmos com a boca. Não é por obras, por caridade, por esforço próprio, mas é pela fé em Deus. Somos salvos se crermos que Deus ressuscitou a Jesus dos mortos e confessar isso publicamente. E uma vez tendo a salvação devemos desenvolvê-la.
Um abraço.
22.07.2009, 11h40
Uma parte realmente me chamou a atenção e creio eu que seje o foco principal do texto. Quando você citou que Salvação pode não se referir apenas a estar livre da condenação de Deus no fim dos tempos, mas pode se relacionar também a liberdade estando debaixo dos preceitos de Deus anexado à natureza pecaminosa. É algo para refletir porque muitos têm vindo pra casa de Deus, primeiramente, apenas por medo do que virá depois da vida na Terra.
09.09.2009, 22h08
Que Deus te abençoe!!
10.09.2009, 20h14